O custo dos serviços gratuitos da Web

Artigo de opinião publicado no Expresso por Daniel Zacarias. Terça feira, 7 de Setembro de 2010.

"Toda a gente usa serviços gratuitos na Web. Seja o Gmail, Yahoo!, Facebook, Hotmail, ou o fórum do hobby favorito, nalgum momento utilizamos sítios Web sem custos. Só sabemos que "pagamos" através da publicidade colocada no respetivo site.

O que talvez não seja de conhecimento geral são os critérios utilizados para determinar a publicidade que nos aparece. Há de tudo. Tal como no mundo físico, temos publicidade estática (que quer aparecer naquele sítio durante um determinado tempo), mas também temos publicidade direcionada, a qual toma diversas formas.

Aquela sobre a qual quero falar é a que existe em dois grandes sítios da Web: Facebook e Google. Simplesmente porque nem todos podem estar conscientes dos "custos" que têm ao utilizar estes serviços.

Um dos principais fatores para tornar mais valiosa a publicidade é que seja mais eficaz, chegando melhor ao público alvo pretendido. Tanto o Facebook como o Google utilizam aquilo que "sabem" sobre nós para decidir que publicidade mostrar e assim fazer dinheiro. Fazem-no com abordagens técnicas totalmente diferentes, mas fazem-no.

Se usarmos o Gmail, a empresa "sabe" a quem escrevemos mais, os temas falados, o que nos interessa ou não interessa. Se tivermos o serviço ativo no Google, este pode registar o nosso histórico de pesquisas e assim saber que tipo de informação temos procurado. No Facebook, o objetivo é o mesmo; tudo depende do quanto o "alimentarmos" de informação ("gosto disto", "namoro com X", "nasci em Y", etc.). Isto é, pagamos com a nossa informação pessoal. Para muitos, este facto é algo difícil de digerir ou tolerar.

Praticamente a totalidade da faturação destes titãs da Internet é a venda de publicidade (ver estimativas para o Facebook ). Com a evolução de algumas tecnologias móveis e Web , a capacidade destes (e outros) sites nos "conhecerem" será ainda maior.

Isto não é qualquer tipo de apologia a uma histeria massiva para o abandono dessas aplicações. Os seus modelos de negócio são perfeitamente válidos, desde que os utilizadores estejam devidamente informados.

O valor que obtemos ao utilizar estes serviços varia de pessoa para pessoa. O custo que lhes atribuímos também. Cabe a si decidir se compensa."

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