Somália

© Alexander Joe / AFP - Getty Images file

 Foto: photoblog

Desde que vi o filme "Black Hawk Down" 2001, ("Cercados" em Portugal), que reparo com mais atenção nos, artigos, fotos e notícias que provêm ou falam acerca da Somália.

O governo central da Somália desapareceu após a queda da ditadura pró-soviética de Siad Barre, em 1991. Com o país dilacerado pelos conflitos internos, os "senhores da guerra" tomaram conta do país. Desde então, a Somália vive em guerra civil intermitente, a qual matou dezenas de milhares de somalis. Não existe unidade nacional, e o país fragmentou-se em regiões. Em 1991, surgiu a Somalilândia, que chegou a declarar a independência da Somália no mesmo ano. Apesar da sua relativa estabilidade, em comparação com a tumultuosa região sul, não foi reconhecida como estado independente por nenhum governo estrangeiro.

Em 1992 iniciou-se uma ação humanitária da ONU, encabeçada por tropas dos Estados Unidos da América. Embora conseguisse diminuir a fome no país, a operação foi um fiasco, com a morte de 18 soldados norte-americanos. Esta história é contada no filme "Black Hawk Down".
Os marines deixaram o país em 1993. Sozinha, a ONU acabou por retirar-se oficialmente a 3 de março de 1995.

Desde o início da guerra civil, nos anos 1990, somalis tem praticado a pirataria nas águas ao largo do "Corno da África", sequestrando navios e suas tripulações em alto mar, libertando-os apenas em troca de resgate, tornando a região uma ameaça à navegação internacional.
Em agosto de 2008, uma força tarefa naval de coligação internacional, a Combined Task Force 150, que inclui navios de guerra do Canadá, Estados Unidos, Alemanha, França, Grã Bretanha, Portugal e Turquia entre outros, foi formada para combater a pirataria na região, estabelecendo uma área de patrulha e segurança marítima no Golfo de Aden.
Os piratas são basicamente ex-pescadores, militares ligados aos clãs de senhores da guerra do país dividido e técnicos em eletrônica e GPS, sendo estimados num total de 1000 homens armados, que, em equipas, usam pequenas embarcações rápidas para interceptar e abordar os navios.

Texto: wikipédia  

Após uma pesquisa ne net encontram-se alguns artigos que ligam estes actos de pirataria ao despejo de resíduos tóxicos ao largo da costa da Somália. Estes actos ilegais terão levado à redução da vida marinha e à consequente falta de recursos piscatórios. Sendo esta uma das mais elementares formas de sobrevivência para a população de um país empobrecido, vendo-se privados da pesca os Somalis viraram-se para a pirataria.

European firms are being accused of dumping toxic waste off the Somali coast. This is the claim that the Somalia pirates, who are demanding an $8m ransom for the return of a Ukrainian ship, are making. The pirates say the money will go towards cleaning up the waste.

Januna Ali Jama is a spokesman for the pirates and he says the ransom demand is a means of “reacting to the toxic waste that has been continually dumped on the shores of our country for nearly 20 years”.

http://www.infowars.com/is-toxic-waste-behind-somali-piracy/

"THE huge waves which battered northern Somalia after the tsunami in December are believed to have stirred up tonnes of nuclear and toxic waste illegally dumped in the war-racked country during the early 1990s.

Apart from killing about 300 people and destroying thousands of homes, the waves broke up rusting barrels and other containers and hazardous waste dumped along the long, remote shoreline, a spokesman for the United Nations Environment Programme (Unep) said."

http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/article418665.ece

Em 2005, uma outra notícia sobre a Somália chamou a minha atenção.
Ilustrei um artigo do Público "Na Somália já não há estado, só o negócio da Coca-Cola".
O projecto foi desenvolvido no âmbito da disciplina de Oficina Gráfica, João Deck era o prfessor.
Do processo de trabalho resultaram duas ilustrações e as maquetes representativas. A técnica utilizada foi a do linóleo.

A ideia original para o trabalho consistia em criar uma ilustração que fizesse pensar acerca da dicotomia entre vários conceitos que estão associados ao artigo: paz/guerra, fome/bebida doce, atraso estrutural/desenvolvimento, falta de infraestruturas/espírito empreendedor, grandes empresas/indústria de guerra.